O SBT estreia na próxima segunda-feira a novela “Uma Rosa com Amor”. Ela conta com a adaptação feita por Tiago Santiago que tem na sua equipe de colaboradores a escritora Renata Dias Gomes. Renata e Tiago trabalharão pela primeira vez juntos e coincidentemente pela primeira vez em outra emissora. Confira uma entrevista exclusiva que Renata concedeu ao Portal TVAqui, onde dá mais informações sobre sua carreira e sobre a novela.

Renata Dias Gomes (Créditos: Arquivo Pessoal)
Douglas Alexandre: Como é para você ser neta dos autores Dias Gomes e Janete Clair? Isso te influenciou para tomar a decisão de seguir essa carreira?
Renata Dias Gomes: Ser neta do Dias Gomes e da Janete Clair é maravilhoso, uma dádiva! Não conheci a minha avó (ela faleceu dois meses após meu nascimento). Eu a conheço apenas pela memória dos que tiveram a oportunidade de conviver com ela. E as histórias trazem sempre lições maravilhosas de vida. Minha vó foi uma grande pessoa e é pra mim uma grande inspiração. Já com meu avô tive a oportunidade de conviver durante 15 anos. Era um homem maravilhoso que influenciou toda nossa família com valores fortes. Um patriarca, um avozão!
Com certeza ser neta deles influenciou na decisão de seguir a carreira de novelista. Não só o ser neta deles, mas também o ser sobrinha da Denise (escritora)filha do Alfredo (baterista), sobrinha do Guilherme (trompetista). Na minha família o caminho natural era a arte. Então acredito que tenha sido mais fácil tomar essa decisão do que em outra família que talvez eu pudesse encontrar alguma resistência. Eu tinha dois exemplos muito fortes dentro de casa de que era possível viver de arte e da arte de escrever. Acho que a paixão por novela vem de família também rs Amo teatro, estudei e amo cinema, mas acredito muito na novela e acredito que a história dos meus avós que me foi contada e recontada desde sempre contribui muito pra isso.
Como você se tornou colaboradora na Rede Record?
Comecei a trabalhar cedo como roteirista. Eu tive minha filha muito cedo e precisava trabalhar. Mandei currículo pra literalmente todas as produtoras do Rio de Janeiro e comecei a trabalhar escrevendo roteiros institucionais, documentários e alguma coisa de ficção. Fazia o que pintasse. A Glória Perez conseguiu pra mim uma bolsa de estudos pra fazer a maratona de roteiros da Associação dos Roteiristas. Na maratona eu conheci o Tiago Santiago. Eu tinha lido uma entrevista dele dizendo que gostaria de ler os originais de rádio da minha avó. Eu conhecia o material que “morava” na minha casa. Passei óleo de peroba na cara e fui falar com ele. O Tiago foi muito receptivo. Eu aproveitei que já tinha passado o óleo de peroba e perguntei se podia mandar um roteiro pra ele ler. Mandei um curta metragem. A negociação com os originais da minha vó acabou não dando certo, mas ele leu meu texto e um tempão depois me escreveu fazendo comentários sobre o roteiro e disse que a Record tinha interesse em me contratar. Ele me indicou à Margareth Boury e eu fui escrever Alta Estação.
Em 2008 você trabalhou com um dos maiores sucessos da dramaturgia da Record, se não o maior, que foi a novela Chamas da Vida. Como era trabalhar com a Cristianne Fridman e o que você traz de experiência desse trabalho?
Chamas da Vida foi um grande aprendizado! Foi uma novela que teve várias dificuldades (a protagonista quebrou o pé, outros atores ficaram doentes e precisamos reescrever várias vezes os capítulos da novela)e a Cris conseguiu passar por todas elas brilhantemente! Foi maravilhoso poder acompanhá-la nessa jornada.
Você se mudou para o SBT por descontentamento na Record ou por objetivos profissionais mesmo?
Eu nunca tive problemas na Record. Sempre gostei de trabalhar pra emissora. Quando o Sílvio me chamou a primeira vez, recusei o convite porque estava no meio de Chamas da Vida e não abandonaria o trabalho. Quando ele me chamou novamente, a situação era outra. Coincidiu com a mesma época que ele contratou o Tiago Santiago que, como contei anteriormente, foi a pessoa que me levou para a Record. Isso pesou bastante na minha decisão. Além disso o Sílvio acenou com um projeto bacana para teledramaturgia que está se renovando na emissora. Acredito que não teria oportunidades a médio prazo de crescer na Record que já conta com um time de autores de altíssimo nível e no SBT essa oportunidade pode aparecer no momento que eu estiver pronta.
O fato do SBT ter adquirido o acervo de novelas da Janete Clair, influenciou sua decisão?
Diretamente, não. No meu lado racional influenciou mais a mudança do Tiago , o projeto do SBT e o vislumbre de boas oportunidades de crescimento a médio prazo. Mas quando assinei o contrato me senti na mesma casa que minha avó e me senti muito bem com isso.
O SBT estreia dia 1º de Março a novela Uma Rosa com Amor, original de Vicente Sesso, que está sendo adaptada pelo Tiago Santiago. Você está no time de colaboradores. Como está sendo essa experiência?
É até difícil de explicar! Trabalhar com o Tiago tem sido muito melhor do que eu podia imaginar! Ele é incrível como novelista e como pessoa. Estou aprendendo demais nesse trabalho. Nunca trabalhei tanto e nunca estive tão feliz. O Tiago é organizado, sabe motivar a equipe e é extremamente generoso. Além disso, é um prazer trabalhar com o Miguel Paiva de quem eu sempre fui fã desde pequena. Cresci lendo as histórias da Radical Chic! Pra completar, estou escrevendo pra Betty Faria. É a realização de um sonho!
O que o público pode esperar da novela?
O público pode esperar uma novela feita com muito carinho, muita dedicação. Estou me divertindo muito escrevendo Uma Rosa com Amor e espero que o público também se divirta com ela.
Você já se identifica mais com algum núcleo?
Eu gosto de todos personagens e todos os núcleos. É muito difícil dizer se gosto mais de um ou outro porque tenho carinho por todos eles.
Agora que a gente já sabe o que o público pode esperar da novela, o que você espera dela?
Espero continuar me divertindo bastante escrevendo Uma Rosa com Amor. Espero também que seja prazeroso pra toda equipe que está participando do projeto. E que seja mais um sucesso do Tiago Santiago, claro. A gente sempre escreve pensando em agradar ao público.
Quais são seus projetos futuros para cinema, televisão, etc?
Eu tenho muita vontade de contar as minhas histórias, mas ainda não sei o meio. Vou me dedicar mais a isso depois da novela. Um projeto que está caminhando, mas ainda bem vagarosamente, é um filme sobre a vida da minha vó que se chamará Nossa Senhora das Oito.
Bom, para encerrar, você será mamãe pela segunda vez, como pretende conciliar os projetos pessoais e profissionais?
Ainda não sei! É o tipo de coisa que a gente tem que aprender na prática. Como eu falei lá em cima que minha vó é um grande exemplo pra mim, nessas horas eu lembro que ela teve quatro filhos e escrevia sozinha…






